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A VIDA QUE EU VIVO E A VIDA QUE VIVE EM MIM

Cada vez mais me convenço daquela frase muito usada no mundo dos negócios: "O ótimo é inimigo do bom". Muito cedo aprendi fazer apenas o possível diante da tensão entre o real e o ideal, sempre buscando agir, dentro das minhas limitações analíticas do momento, em função do que julgava ser bom e do bem para mim e para os demais. Se no futuro percebo que errei, agradeço o aprendizado e não sofro pelo que foi feito ou deixado de ser feito, porque sei que naquele momento foi o meu melhor. A vida segue, não controlamos nada, e, apesar de sermos insubstituíveis, somos total e absolutamente prescindíveis. Só sei que quanto mais entrega, entusiasmo, simplicidade e transparência, mais exponho minha alma e, consequentemente, mais toco a alma do meu entorno relacional. Aprendi que não vale a pena gastar nenhuma energia para me defender, atacar ou adquirir qualquer tipo de instrumento de poder. Apenas vou adiante, seguindo os sinais e sem muito planejar, totalmente pronto para morrer, mas enquanto essa experiência não vem, continuar servindo cada vez mais. Parafraseando Fernando Pessoa, essa é a mística da minha vida, mesmo que tenha que usar meu corpo e minha alma como combustível para servir a humanidade!

Psique é alma e a consciência egóica, quando não está a serviço da alma, religando-a ao Self, que pra Jung é a representação da imagem de Deus em nós, é que surgem as doenças físicas ou mentais! A psicologia e ou a psiquiatria que não valoriza e inclui a dimensão espiritual e a busca de sentido e significado existencial não podem ser chamadas de psicologia ou psiquiatria, porque negam a psique ao atuarem apenas como meros programas de modificação e condicionamentos comportamentais, utilizando, iludidamente, a fantasia de controle e do domínio da mente racional por meio de substâncias químicas ou sujeições mentais, a serviço única e exclusivamente da adaptação alienante nesta sociedade de consumo, impondo códigos de condutas sem ética e sem estética! A resultante disso é a negação da vida anímica em detrimento da formação de personas ou máscaras sociais estruturadas, fortalecendo e estimulando exclusivamente a vida biológica e instintiva que valoriza a gula, a avareza e a luxúria, bases fundantes dos instintos reptilianos da fome, território e sexo.

Se a mente não conseguir fazer a integração da psique com o corpo e a dimensão espiritual, as crises que nos atravessam ficam hipostasiadas (materializadas), dominando monotemática e unilateralmente nossa vida! E qual o verdadeiro sentido da vida? Cada vez mais compreendo que é servir a humanidade, e a melhor maneira de realizar esse propósito, é investir em nosso autoconhecimento, exercitar o desapêgo e a prontidão para a morte, porque só assim faremos o religare (que deveria ser o interesse fundante de todas as religiões, sociedades esotéricas ou místicas) e, consequentemente, estimular a ampliação deste estado de servidão em nosso entorno relacional. Essa é a chave: só podemos levar o outro até onde chegamos, só podemos amar e sermos amados pelo outro após aprendermos amar a nós mesmos. Como o amor é entrega incondicional, sem garantia nenhuma, porque exige dar total liberdade ao amado, sem fé e autoestima, a maioria das pessoas acabam confundindo amor com posse e controle. O temor do amor estimula a ilusão do poder, que ativa a vaidade egoísta, afugentando ainda mais o amor.

Se não abrirmos espaço para que a verdadeira luz, que vem da vida do Self, ou centelha divina que vive em nós, possa manifestar-se, continuaremos vivendo a vida dos condicionamentos materialistas, negando toda dimensão espiritual. Porém, sem o reconhecimento da sombra, que é o único portal para a luz, ao reconhecermos e aceitarmos que instintivamente somos vaidosos, ciumentos, invejosos e que todos os sete pecados capitais habitam em nós e são extremamente importantes para a nossa biosobrevivência, jamais conseguiremos dar espaço para a vida que nos leva à salvação, iluminação ou individuação! Isso equivale ao ego dar espaço para o Self, servindo a alma, que é a essência de vida que sempre viveu em nós, refundindo-a na vida que vivemos. Nestas premissas poderemos nos entregar ao fruir do fluir existencial, cada vez mais servindo para poder ser!

*Waldemar Magaldi Filho, analista junguiano, psicólogo, mestre e doutor em ciências da religião, autor do Livro: " Dinheiro, Saúde e Sagrado" - editora Eleva Cultural, sócio fundador do IJEP - instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, onde atua como coordenador dos cursos de pós-graduação em Psicologia Junguiana, Arteterapia e Expressões Criativas e Psicossomática - www.ijep.com.br

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