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HARMONIZAÇÃO

Atualmente, devido ao crescente interesse dos brasileiros pelo vinho e todo seu entorno implicativo, creio ser interessante refletirmos sobre o conceito da harmonização. A harmonia é um conceito clássico que se relaciona às idéias de beleza, proporção e ordem. No meio musical, é a capacidade de possibilitar o encontro e a união consonante entre sons dissonantes, principalmente depois da influência da revolução industrial devido ao surgimento das grandes orquestras que integram uma enorme quantidade e variedade de instrumentos musicais emitindo sons diferentes simultaneamente. Por outro lado, na cultura greco-romana, Harmonia é a filha que surgiu da união entre o deus da guerra – Marte ou Ares – com a deusa da beleza e do amor – Vênus ou Afrodite. Assim, começa a ficar evidente que harmonia alude uma relação dinâmica entre elementos diferentes onde cada um realça as qualidades dos outros, sem sobreposição de nenhum, pois o mais importante é o resultado final.

         Na enocultura, harmonizar ou, para as línguas hispânicas,  fazer a maridage, é equivalente ao casamento que acontece entre o vinho, os alimentos, o ambiente, os acompanhantes, o clima, o custo e uma infinidade de elementos presentes no ato de saboreá-lo. Ressaltando que um casamento bem sucedido é aquele em que as partes estão comprometidas entre si, onde cada cônjuge está disponível em conjugar a maior quantidade possível de verbos, que são as ações da vida, em todos os tempos e modos.  Então, um bom casamento é aquele em que um acompanha o outro de modo cooperativo e não competitivo. O casamento harmonioso é aquele que propicia a união das partes, preservando a integridade e a singularidade dos elementos, bem diferente da fusão, onde a mistura confunde e destrói a individualidade das partes.

         Um outro fator interessante é que um casamento para se manter saudável necessita das polaridades, assim como na química ou no eletromagnetismo onde os diferentes se atraem e os iguais se repelem. Aliás, os antigos filósofos já proclamavam que a harmonia nasce das coisas contrárias e tudo brota da oposição. Por isso, as diferenças são bem vindas, mas não podem gerar antagonismos! É necessário respeitar as limitações de tolerância e estabilidade de cada componente que participará da união. Enfim, o conceito de harmonia torna-se imprescindível para manter presente e unido às três grandes demandas da alma humana: O Bom, O Belo e o Verdadeiro – representados sequencialmente pela ética, estética e ciência ou realidade. Sendo que essas três demandas também devem estar presentes na harmonização dos vinhos! Aliás, creio que por meio deste prazeroso exercício, podemos aprender aceitar as diferenças dos contrários, conciliando alguns ou convivendo com os irreconciliáveis, numa contínua busca evolutiva de criatividade e paz.

* WALDEMAR MAGALDI FILHO (www.waldemarmagaldi.com). Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: “Dinheiro, Saúde e Sagrado”, coordenador dos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, DAC – Dependências, abusos e compulsões, Arteterapia e Expressões Criativas e Formação Transdisciplinar em Educação e Saúde Espiritual do IJEP em parceria com a FACIS. wmagaldi@gmail.com

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