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MINHA EXPERIÊNCIA COM PSICOTERAPEUTA – II - METANÓIA

A No final do artigo anterior comentei sobre a ampliação e o aprofundamento de consciência que o exercício desta profissão proporciona tanto ao analista quanto ao analisando. Principalmente por nos obrigar em estar em contínuo contato com a nossa sombra, para podermos acessar a sombra dos nossos clientes. Da mesma forma, como a meta da psicologia profunda está voltada para o processo de individuação, continuamente devemos encontrar as imagens arquetípicas de Deus presentes em nossos clientes e, com isso, também ficamos constantemente em contato com a nossa imago Dei.

Apesar de toda essa dimensão sagrada em busca da beleza e da poética da vida, espero que tenha ficado claro que, na realidade, ninguém tem a capacidade de modificar ninguém, mas ninguém consegue se modificar sozinho. Ou seja, é na relação que acontecem as modificações e isso me remete a essa bela frase de Herman Hesse: "Nada posso lhe oferecer que não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo além daquele que há em sua própria alma. Nada posso lhe dar, a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo e isso é tudo."

Devido à profundidade desse trabalho, muitas vezes C. G. Jung foi criticado por ter criado um método psicoterapêutico voltado para pessoas mais maduras e com boas condições sócio-cultural. De fato, quando falamos em autoconhecimento e processo de individuação é natural que essas demandas estejam mais afloradas nas pessoas que estão na temática da metanóia, época, por volta dos 45 anos de idade, em que naturalmente buscamos um novo sentido e significado para a segunda metade da vida. Obviamente, essas demandas ficam mais evidentes para aqueles que já superaram as necessidades mais grosseiras e instintivas do sobreviver, crescer e perpetuar, por isso parece que o método é destinado para as elites que ultrapassaram a meia idade. No entanto, a prática da análise também é muito eficiente e útil tanto para as crianças quanto para jovens, casais e famílias, obviamente dando mais ênfase as demandas adaptativas do ego para que a realização do si mesmo aconteça na direção do processo de individuação.

Porém, neste artigo ficarei voltado para a metanóia, crise de transição que, infelizmente, deixou de ser vivenciada coletivamente na forma de ritos de passagens, demarcando esse momento de grande importância na vida de todas as pessoas. Numa outra oportunidade comentarei sobre as minhas experiências com as pessoas mais jovens.

Meus clientes que estão vivenciando a crise da meia idade, na maioria das vezes, acabam trazendo questões que vão muito além das queixas de relacionamentos ou das dificuldades profissionais, econômicas ou de saúde física. É interessante percebermos que, mesmo quando essas queixas estão presentes, os questionamentos a respeito do sentido e significado existencial acabam ocupando muito espaço no contexto analítico. Sendo que, essas questões, inevitavelmente, remetem aos aspectos da transcendência e do sagrado. Então, acredito que minha profissão é semelhante ao sacerdócio, missionário e evangélico, por apontar para as boas novas da vida, em direção ao autoconhecimento e ao si mesmo ou Self, que é o nosso centro integrador e unificador capaz de interligar a alma com o espírito, a mente e o corpo. Ou seja, por meio do nous, que é a consciência, podemos produzir mudanças no corpo, ou soma. Este, por sua vez, poderá modificar a alma, ou psique, para que o pneuma, o grande espírito ou unidade divina, também seja modificado.

A metanóia exige uma espécie de transgressão, por provocar muitas transformações tanto nos comportamentos quanto no pensamento e no caráter das pessoas, produzindo rompimentos de valores, relacionamentos e até de visão de mundo. Muitas vezes surge na forma de crise e queixas, fazendo com que os indivíduos repensem seu existir. Sendo que, na base dessa crise está uma experiência simbólica de morte e de renascimento, em direção ao servir. Ou seja, a superação da metanóia, para mim, acontece quando a pessoa encontra o entusiasmo em servir ao si mesmo e, conseqüentemente, ao outro. Por isso a individuação é uma meta coletiva.

* WALDEMAR MAGALDI FILHO (www.waldemarmagaldi.com). Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: "Dinheiro, Saúde e Sagrado", coordenador dos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, DAC - Dependências, abusos e compulsões, Arteterapia e Expressões Criativas e Formação Transdisciplinar em Educação e Saúde Espiritual do IJEP em parceria com a FACIS. wmagaldi@gmail.com

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