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MINHA EXPERIÊNCIA COMO PSICOTERAPEUTA – I – A RELAÇÃO DE AJUDA

Quando sou questionado a respeito da minha profissão de psicoterapeuta sempre sou tomado por muitas emoções, dificultando a elaboração de uma resposta lógica e didática. Essa reação deixa evidente que a pergunta constela em mim um complexo, despertando muitas temáticas arquetípicas que vão desde o filantrópico curador ferido até o misantrópico embusteiro e egoísta ou ególatra que só quer tirar vantagem das queixas alheias. Ou seja, ativa a presença de Hermes, deus grego apaixonado pela beleza sedutora de Afrodite, que para os romanos assumiram os nomes de Mercúrio e Venus, respectivamente. Apesar desse complexo ativo, que acredito estar presente, consciente ou inconscientemente, em todos meus colegas, vou escrever alguns parágrafos sobre minha experiência clínica.

Neste primeiro artigo escreverei genericamente, e talvez defensivamente, sobre a profissão de um modo geral, e nos próximos trarei as particularidades dos fracassos e dos sucessos obtidos nas análises. Então, não podemos esquecer de que Hermes é o mensageiro e o transportador das almas, trabalho bem parecido com o dos psicoterapeutas de orientação junguiana, apesar de que ele também tinha outras atuações um tanto questionáveis, o que lhe conferiu a condição de deus protetor dos comerciantes, ladrões, prostitutas e, obviamente, dos psicoterapeutas. Por isso, devemos sempre estar conscientes de nossa sombra, para não sermos tomados de assalto por ela. Daí que surge a necessidade constante da análise do analista, que é muito mais importante do que o seu conhecimento teórico.

Nesta perspectiva, nosso ofício é o de possibilitar, pelo método dialógico da hermenêutica, com que o cliente ferido entre em contato com seus materiais inconscientes, em busca da mensagem do seu curador interior. Ou seja, em busca do significado simbólico e incomum à consciência, conscientizando-o de seu daimon, que é sua vocação e fonte inesgotável de felicidade, gerador de movimentos criativos e transformadores para a realização existencial do ser, apesar das dificuldades e sofrimentos inerentes à vida. Pois sabemos que sonhar ou desejar uma vida paradisíaca é uma fantasia regressiva, mágica e infantil.

            O processo acontece em um lugar sagrado, metaforicamente chamado de vaso hermético, através do qual as transformações ocorrem, por meios simbólicos, onde ego e Self começam a se relacionar conscientemente. O analista apenas acolhe, oferece local seguro e estímulo para que o próprio Self do ferido contribua para sua evolução e superação das queixas. Por isso, no final de um processo de análise bem sucedido, o ideal é que o analisando se esqueça até do nosso nome.

Desta forma, quem busca reconhecimento, gratidão ou fama está na profissão errada. Porque, o objetivo deste trabalho é fazer com que a presença do curador seja despercebida, pois o verdadeiro terapeuta é o curador ferido do próprio cliente. A função do analista é apenas a de um mediador e estimulador desta relação. Por isso o curador não precisa ser forte, poderoso nem altamente técnico, mas sensível, empático e conhecedor da capacidade auto-reguladora e curativa do Self. E é neste sentido que muitas vezes somos raptados pela sombra, correndo o risco de ficarmos deprimidos ou, reativamente, irmos para a prática do abuso de poder, em todas as suas variações. Apesar disso, é uma profissão missionária e criativa que nos dá muita profundidade e ampliação de consciência, mas isso fica para o próximo artigo.

PAZ e BEM

* WALDEMAR MAGALDI FILHO (www.waldemarmagaldi.com). Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: "Dinheiro, Saúde e Sagrado", coordenador dos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, DAC - Dependências, abusos e compulsões, Arteterapia e Expressões Criativas e Formação Transdisciplinar em Educação e Saúde Espiritual do IJEP em parceria com a FACIS. wmagaldi@gmail.com

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